Marco Dassori

O Amazonas eliminou 2.836 empregos formais em dezembro, interrompendo uma sequência de 11 meses de saldos positivos. Desta vez, as admissões (+15.411) ficaram aquém das demissões (-18.247), por uma diferença de 0,57% em relação ao estoque anterior. O dado, contudo, foi melhor do que os da média nacional (-0,97%) e da região Norte (-0,91%). O desempenho veio no sentido contrário do verificado em novembro (+2.584), mas foi quase duas vezes melhor do que o de dezembro de 2022 (-5.409). Manaus (-0,39% e -1.768) liderou os cortes e todos os setores do Amazonas demitiram mais do que contrataram, com destaque para serviços e construção.

O Amazonas conseguiu fechar o ano com aumento de 4,64% e 21.996 novos postos de trabalho. O índice de crescimento veio menor do que os de 2022 (+7,93%) e 2021 (+8,52%), superando apenas 2020 (+2,46%) – o ano inicial da pandemia. Ficou acima do obtido pelo Brasil (+3,50%) e abaixo da média dos demais Estados nortistas (+5,21%), sendo que o destaque regional veio de Roraima (+6,89%). Entre os setores, o melhor desempenho veio da construção (+11,27%), ao passo que a agropecuária (-4,84%) contribuiu com o único dado negativo. O estoque amazonense de empregos formais fechou em 497.383 vínculos celetistas. As informações são do ‘Novo Caged’, e foram divulgadas pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nesta terça (30).

O Brasil teve mais desligamentos (-1.932.722) do que admissões (+1.502.563), em dezembro. O saldo ficou negativo em 430.159 empregos com carteira assinada, com redução de 0,97%, disseminada em todos os setores e quase todos os Estados. O ritmo já vinha declinando entre setembro (+211.764) e novembro (+130.097), e veio muito próximo ao apresentado no mesmo mês do ano anterior (-431.011). No ano, contudo, foram criadas 1.483.598 (+3,50%) vagas formais em todo o país, carreadas pelos serviços, situando o estoque em 43.922.765 vínculos empregatícios. O MTE ressalta que dezembro é tradicionalmente um mês reservado para rescisões contratuais.

A oferta de empregos ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os números mais recentes do IBGE mostram que o Amazonas encerrou o terceiro trimestre de 2023 com o nível de desocupação em queda, mas em um patamar ainda elevado de 187 mil pessoas – ou 9,6% de sua força de trabalho. Apenas 55,7% (1,77 milhão) da população amazonense “apta ao trabalho” (14 anos ou mais) tinha ocupação remunerada, sendo que 55% (974 mil) desse grupo não contava com carteira assinada. O desempenho do quarto trimestre de 2023 só será divulgado em fevereiro.

Serviços e comércio

Diferente do mês anterior, todas as cinco atividades econômicas fecharam dezembro com menos admissões do que desligamentos. Os serviços, que costumam liderar a oferta de oportunidades profissionais no Estado, lideraram os cortes, em termos absolutos. O saldo sofreu um corte de 915 vagas celetistas e recuo de 0,40% nos estoques. A atividade já vinha desacelerando entre setembro (+2.077) e novembro (+425). A administração pública (-425), puxou as demissões, e somente o grupo que reúne informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias (+73) conseguiu somar vagas. No acumulado do ano, entretanto, houve alta de 5,85% (+12.589).

No mês do Natal, o grupo que reúne “comércio e reparação de veículos” também apresentou saldo negativo, apesar do tradicional reforço das contratações temporárias. A retração foi de 0,43%, com 494 postos de trabalho a menos, o quarto pior resultado do Estado para o mês – e um resultado bem diferente do obtido em novembro (+2.020). As demissões foram carreadas pelo varejo (-412), mas o atacado (-70) e o segmento de “reparação de automóveis e motocicletas” (-12) também contribuíram. De janeiro a dezembro, a atividade acumulou saldo positivo de 4.155 vagas e avanço de 3,80%.

“Os números de dezembro refletem os acontecimentos que se sucedem desde 2022. Vínhamos, desde agosto, sofrendo com os efeitos da estiagem, com desabastecimento. Isso vitimou profundamente o setor e as demissões refletem esse histórica de dificuldades. Em novembro, ainda fez algumas contratações, vislumbrando o fim de ano. Não obstante, o Amazonas teve crescimento expressivo no ano”, avaliou o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, sem mencionar expectativas.

Indústria de transformação

A indústria foi o terceiro setor que mais demitiu no Amazonas, em dezembro, registrando baixa de 0,42% em seus estoques e a eliminação de 518 postos de trabalho. No mês anterior, a manufatura amazonense havia criado 375 empregos. Apenas oito dos 25 segmentos da indústria de transformação (-474) conseguiram saldos positivos, sendo que os extremos ficaram entre máquinas e equipamentos (+87) e produtos alimentícios (-340). Foi seguida pela indústria extrativa (-30) e pela divisão de eletricidade e gás (-18), mas não pela atividade de água, esgoto e descontaminação (+4). A indústria geral do Amazonas fechou o ano com avanço de 2,35% (+2.851).

“À parte dos fatores sazonais, há que se considerar também o instável cenário econômico que tem impactado a produção e consumo. Não obstante, os indicadores se mantiveram em patamar positivo quando comparado ao mesmo período de 2022, e em relação aos dados nacionais. Era normal que houvesse desaquecimento, após o período de retomada sentido imediatamente após a pandemia. Independentemente desse viés econômico cíclico, os números demonstram uma estabilização, com leve tendência positiva. O que, diante do panorama atual, é um indicador salutar”, ponderou o presidente do Fieam, Antonio Silva.

Agropecuária e construção

A agropecuária renovou o mergulho em dezembro, com a maior queda da lista (-3,04%) e a subtração de 143 vagas – número semelhante ao de novembro (-146). O maior retrocesso veio da produção florestal (-78) e do grupo que reúne “agricultura, pecuária e serviços relacionados” (-64), com destaque para a produção de lavouras temporárias (-32). O setor foi o único a fechar 2023 no vermelho (-4,84% e -232), no Amazonas.

Já a construção emendou seu segundo mês de baixa, ao marcar um declínio de 2,86% nos estoques – o segundo mais elevado da lista – e o enxugamento de 766 vagas – o segundo maior número do mês. Os cortes foram disseminados nos subsetores de serviços especializados para construção (-292), obras de infraestrutura (-285) e construção de edifícios (-189). Em 12 meses, contudo, a construção foi o único setor econômico do Amazonas obter incremento de dois dígitos (+11,27%), com 2.637 novos postos de trabalho.

“O que movimenta mais o setor são as obras do Minha Casa Minha Vida, que ficaram mais para o fim do ano, por conta das mudanças no programa. Muita gente ficou esperando as novas condições do governo e como iriam funcionar o apoio dos subsídios no Amazonas. Outro fator que prejudicou foi a estiagem, porque muitas empresas ficaram sem material, que também ficaram mais caros. De positivo, os juros estão caindo, embora o índice de inadimplência ainda esteja elevado. Mas, as perspectivas são positivas para 2024”, concluiu o presidente do Sinduscon-AM, Frank Souza.

Fonte: JCAM

By souza

Publicitário/ Apresentador de Rádio e TV/ Especialista em Marketing Digital/ Assessoria de Imprensa